13 de jul de 2011

Um ídolo?


Sou fã dos Beatles. Sou fã em particular de John Lennon e George Harrison. A música deles me emociona, sempre. Digo isso, pois talvez o que vou escrever esteja influenciado por essa questão afetiva.

Em 1970, ano do fim dos Beatles, John Lennon gravou uma música muito significativa. Era o momento de cada um deles seguir sua própria vida, agora não mais como um beatle, e era também o momento de se rever muito da utopia prometida pelos anos 60. A música chama-se God, nela John fala de suas convicções sobre a vida fazendo uma série de polêmicas afirmações, ente elas, a de que o sonho acabou. Mesmo não sendo sua intenção, a letra da música tem uma profunda postura yogui. Nela, John vai desfazendo várias instituições sociais de valor, quase sempre, inquestionável. Cita a religião, a política, personalidades, artistas de referência, saberes místicos e até mesmo o yoga. Desfaz inclusive dos Beatles, fenômeno que influenciou boa parte do mundo, e do qual ele foi um pilar. Diz que agora ele é apenas o John, e não mais o fazer de sonhos de antes, e que só acredita nele e no amor que pela parceira Yoko. Essa postura de questionamento e de busca de verdades próprias se assemelha muito com a postura necessária para o caminho do auto conhecimento.

É preciso acreditar na própria experiência, e isso implica movimento, mudança. Por maior que seja a obra, uma hora é preciso deixá-la e ir adiante. Por maior que seja a segurança de uma crença, é preciso questioná-la pela própria experiência. Por maior que seja o ídolo, é preciso matá-lo para se ser alguém. A mochila precisa estar leve para a caminhada. A crença, seja no que for, pode ser como um óculos que distorce a visão clara e profunda.

O yoga não é uma crença e só acontece quando nos aventuramos na auto descoberta, quando saímos da zona de conforto, quando abrimos mão de buscar apenas confirmações para o que já sabemos, para o que já concluímos. É preciso desapego, é preciso se redescobrir. Ficar atado ao que já foi feito pode ser uma prisão, pode ser um impedimento para se ir além. Nem sempre é fácil deixar para trás e seguir, existem muitos apegos, mas isso é possível, largar a segurança de se ser um ídolo e se tornar um caminhante.

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