13 de jul de 2011

Feche o vazamento, isso também é yoga

Dentro do vasto conhecimento do yoga um cuidado sempre é lembrado, sem o qual, muito do que se conquista é perdido. No yoga se evita sempre o vazamento e o desperdício. Esse cuidado é algo simples e suas conseqüências são facilmente observadas no dia a dia, como por exemplo, a forma como estamos consumindo a nossa preciosa água. O vazamento no ser humano ocorre de muitas maneiras e em todas elas se perde energia, consciência e autonomia. A prática do yoga vai reconhecendo essas formas de vazamento e algumas soluções se tornam possíveis.  
Um grande vazamento é o queixar-se constantemente de tudo e sobre tudo. O tema pouco importa, a situação pouco importa, o que importa de fato é ter a oportunidade de re-clamar, de lamentar as misérias da vida. Se há algum desconforto real, e sempre haverá, o lamento será em dobro, multiplicado, intensificado, às vezes dramaticamente. As desgraças do mundo são todas apontadas, lembradas, abraçadas, nenhum sofrimento e nenhuma dificuldade é descartada. Essa é aquela queixa compulsiva, automática e gratuita. Aqui o mundo todo conspira para atrapalhar a vida do pobre coitado, que se coloca assim mesmo, como vítima das injustiças cometidas contra sua infeliz pessoa. Essa postura sustenta uma irresponsabilidade, pois o reclamão teria uma vida muito melhor se não fossem os outros, se não fosse a falta de dinheiro, se não fosse... (e aí pode vir aquela ladainha de queixas). Nessa queixa não há intenção de transformação, não há mobilização para uma mudança, há apenas o prazer é o queixar-se livremente, de deixar vazar.
Tal como o intestino solto, a queixa solta esgota quem dela sofre. Mas o pior é que ela contagia quem está perto. É impressionante como queixar-se é uma eficiente forma de puxar conversa com quer que seja. É só reclamar do tempo, do prefeito, da seleção, das dores, dos tempos atuais, do banco... vale qualquer assunto, e um calorosa conversa começa, cada um desfiando suas legítimas e dolorosas queixas.
Para tal vazamento só há uma saída, fechar a boca! Não morder a isca da queixa como assunto, como pretexto. Mas isso pode não bastar, pois o vazamento pode ocorrer agora como uma silenciosa infiltração, na forma de pensamentos queixosos. Para esse tipo de vazamento é preciso clareza mental, pois só ela é que fará o corte daquela tentadora reclamação com o trânsito, por exemplo.
Fechar o vazamento da queixa constante é deixar de perder energia (prana), é falar menos besteira, é silenciar mais a mente, é ficar mais atento, é largar a carniça.

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