2 de set de 2012

Yoga é uma religião?

Senho Shiva, deus hindu que representa o yogue pleno e realizado

       “O que Yoga tem haver com religião?” Assim me perguntou, quase ansiosamente, uma aluna iniciante no final de nossa primeira conversa. Ela imaginava que a prática lhe traria muitos benefícios, mas preocupava-se em saber se não estaria se envolvendo com um tipo de seita de alguma religião oriental. Outros alunos já me fizeram essa pergunta, e eu mesmo já me fiz muitas vezes essa mesma pergunta, já busquei respostas, já fiquei em conflito, já deixei para lá, e, já retomei essa questão: qual a relação do Yoga com a religião?
     O Yoga, por uma questão histórica e geográfica, tem muitos elementos do hinduísmo, a milenar e multifacetada religião da Índia. Mas o hinduísmo também possui muitos elementos do Yoga, assim como o budismo também possui. A Índia é um grande caldeirão cultural onde tudo pode ser interligado, conjugado e mesclado. Mitos, lendas, ritos, tradições, crenças e práticas diferentes não se excluem, ou se rivalizam, necessariamente (algo que nós brasileiros também fazemos um pouco). Dentro desse vasto universo, o Yoga é visto como uma filosofia prática de autoconhecimento, libertação e transcendência, e isso pode ser vivido dentro de um contexto religioso ou não. Não é necessário ser hindu ou budista para ser um praticante de Yoga ou de meditação.  Yoga é uma prática efetiva e poderosa de se estar consigo mesmo, de se conhecer a “realidade” externa e interna, e isso talvez seja mais adequadamente nomeado de espiritualidade do que de religião.
     Lembro-me de um aluno que começou a praticar por indicação médica e que rapidamente começou a gostar e a se interessar realmente pelo Yoga. Porém ele era evangélico, e logo entrou em conflito com sua fé e com as orientações de seu pastor. Uma semana depois que me revelou seu conflito, largou as aulas e não voltou mais. Perdi a chance de lhe dizer que a prática poderia ajudar-lhe muito a aquietar o coração e a orar, ou a entrar em silêncio para ouvir o que Deus tinha a lhe dizer. A espiritualidade mais fortalecida e vívida poderia ampliar sua experiência religiosa.     
    Para ser um praticante de Yoga não é preciso ascender incenso ou velas, não é preciso cultuar imagens de deuses hindus, não é preciso usar roupas indianas ou falar sânscrito. Também não é preciso fazer posturas inacreditáveis ou mudar-se para a Índia. Tudo isso pode ocorrer, e ser muito bom para algumas pessoas, mas não é essencial para se experimentar  o que o Yoga tem a oferecer. Não é necessário adotar a cultura hindu para se beneficiar e mergulhar no Yoga (embora esse contato possa ser muito enriquecedor, como foi e é para mim). 
       E aqui me pergunto: como um ocidental urbano, racionalista, tecnológico, consumista, mergulhado neste século da incessantes informações imediatas e externas, pode desenvolver uma prática coerente e profunda de Yoga? Como um típico ocidental contemporâneo pode vivenciar o Yoga sem precisar vestir retalhos culturais alheios ao seu mundo? Que prática de Yoga, sincera e profunda, é viável nos dias de hoje, para o homem de hoje?
    Yoga não é uma religião ou uma teoria especulativa sobre a vida, é um caminho prático para entrarmos em contato imediato e direto com aquilo que somos, Consciência, e nada mais.

Senhor Ganesh, o popular removedor de obstáculos

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