8 de abr de 2012

Sobre o esforço e a entrega


Na postagem anterior escrevi que o foco do yoga não é nem o fazer e nem o desempenho. Mas, para ser mais coerente e exato, preciso reformular essa ideia, pois o yoga possui uma infinidade de técnicas, ou seja, coisas para se fazer, e  no caso do método Iyengar isso é ainda mais evidente, haja visto a infinidade de ações corporais que devemos realizar na permanência de uma postura.

No método Iyengar o asana (postura) precisa ser estudado, experimentado, explorado, suado, digerido, por vez doído, até ser incorporado e realizado plenamente. Nesse processo é necessário muito o fazer e o refazer, a intenção, o controle, a determinação. Tudo isso é a vivência de um importante aspecto do yoga, o princípio ético tapas, que é o esforço sobre si mesmo e a auto superação. Esse esforço deve ter uma qualidade fundamental, ele deve ser consciente, pois ele é a própria via para nos conhecermos melhor. Mas isso não tudo. Após esse empenho todo podemos, ou não, uma hora ou outra, sermos presenteados com um momento que está além do esforço, um momento de integração e de profunda satisfação, de santosha.

O esforço é mais que necessário na trilha do yoga, ele é totalmente indispensável, mas não é ele quem coroa essa trilha. Uma trilha íngreme e cheia de obstáculos só é encarada voluntariamente porque nos levará até um lugar especial, seja uma cachoeira ou uma linda paisagem. A ideia é chegar lá, e o esforço possibilita que cheguemos ao final, mas ele pode nos levar também até a outro lugar muito valioso, ele pode ser a ponte até a experiência da entrega. Esta sim, coroa a exigente jornada pela trilha do esforço. O percurso ganha sentido no momento da entrega, da não intenção, do não querer mais nada além de sentar-se e ficar em contemplação diante do que temos a nossa frente, e mais do que isso, do que temos no coração naquele momento. E assim, abertos e vazios, talvez possamos ser preenchidos pela graça do contentamento e da entrega.


A trilha do yoga é feita de esforço e de entrega, de ação e de não ação, de intenção e de contemplação.

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