23 de jan de 2014

Convite para um encontro


Já no final da aula, enquanto a aluna fazia uma postura (adho mukha svanasana) com apoio do cinto e eu descrevia algumas ações internas para a permanência mais intensa, me saiu a seguinte fala: “fique na postura de forma que se o cinto arrebenta-se você não cairia de cara no chão, ou seja, se entregue, mas mantenha um certo tônus, uma presença”. Disso surgiu uma breve e interessante conversa sobre como essa atitude é adequada nas demais posturas, assim como em várias outras técnicas do yoga, mas principalmente, como ela é interessante diante da vida. Manter-se entregue e ao mesmo atento, administrar as atitudes ativa e passiva, confiar nos recursos externos e mais ainda nos internos, gastar apenas a exata energia necessária, ir mais fundo naquilo que se faz... quantas considerações possíveis.

Essas considerações a partir da prática podem ampliar muito a perspectiva do que é o yoga e do seu real poder transformador. A prática sempre traz novas experiências, incluindo muitas bastante sutis, que após nascerem precisam do devido reconhecimento para gerarem mudanças. O praticante solitário pode facilmente perder esse movimento mais sutil, ou por não percebê-lo ou por não amplia-lo. Para essa limitação há algumas possibilidades: a anotação cuidadosa e o estudo das próprias experiências e o trocar e compartilhar essas mesmas experiências com outros praticantes, sendo que as duas alternativas juntas podem ser uma ótima fonte de autoconhecimento.

Foi considerando esse potencial da comunicação como fonte de ampliação e aprofundamento da prática de yoga que elaborei o “Encontrando”. Um momento de atenção não só para a prática pessoal, mas também para a relação com o outro e com o grupo, pois quase sempre o yoga é uma atividade realizada em grupo, mas quase nunca de e do grupo. Um momento de encontro das ferramentas do yoga e da psicologia que visam apenas um mesmo objetivo: mais clareza, mais atenção, mais presença.




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