7 de ago de 2012

O dentro e o fora na padaria



Dia frio e chuvoso, eu e minha filha entramos numa daquelas padarias que tem de tudo. Nas mesas todos tomando café, chocolate quente, junto com pão de queijo e outras coisinhas quentes. Minha filha pede seu lanche, e eu fico alguns segundos perguntando-me o que vou querer. Olhava em volta e pensava que o clima estava perfeito para tomar algo quentinho e acolhedor. Quase pedi um cappuccino, pois a situação parecia bastante propícia para tal. Mas relutei, não era isso. Olhei mais uma vez em volta e vi o freezer, e nele achei o que realmente queria, e soube na hora: iogurte gelado! Desceu que foi uma beleza, delicioso, era tudo o que eu queria e precisava naquele dia frio.
Pensar sobre o que se vai pedir é ter um tempo para identificar o que se quer. Quando fiz isso na padaria, fui buscar referencias fora de mim. O dia frio e a chuva, as ofertas da super padaria, o que as pessoas estavam comendo e bebendo, o clima de final de tarde, tudo isso me conduzia a uma determinada escolha, que por sinal já fiz muitas vezes e adoro. Mas naquele momento eu não queria o que parecia óbvio querer. Só percebi isso quando, ao invés de olhar para fora, olhei para dentro, para o que sentia naquele exato instante. Ali, dentro, em minha experiência, estava a resposta, a MINHA resposta. Ela surgiu primeiro como uma negação (“Ainda não é isso”) e depois como afirmação (“Ah, é isso mesmo”) ao ver o iogurte. A experiência interna é que concebe e valida a externa. O caminho contrário pode nos deixar facilmente perdidos.
Penso em como essa situação já se repetiu e se repete comigo, pois a tentação de olhar para fora na hora de decidir é grande. Poupar-me desse exercício é uma forma de sabotagem, de alimentar o autoengano. Pegar carona na escolha alheia pode ser um distanciamento da nossa fonte, do nosso querer, que nem sempre é claro e evidente. Para aflorar, a consciência precisa de atenção, escuta e cuidado, aspectos que por sinal são essenciais na meditação e na psicoterpia. 
Olhar para fora e para dentro, perceber o que o fora desperta dentro, sentir o que o dentro quer fora, separar o dentro do fora, unir completamente o dentro e o fora. Mais do que um jogo de palavras, esse é um caminho de auto conhecimento.

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