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4 de jun. de 2016

A meditação e o desapego



         O yoga é uma prática milenar sustentada em alguns princípios fundamentais comuns a várias correntes da espiritualidade universal. Entre esses o desapego (vairagya) é um central. Desapego é um conceito que pode ser facilmente associado ao ato de largar bens materiais, de despojar-se de confortos, vaidades e de todo e qualquer tipo de posses. Sim, o desapego pode ser compreendido por esse viés, que se cristaliza na figura emblemática do sadhu, aquele adepto hindu que renunciou aos jogos da sociedade e do mundo. Ele vive nu, sem moradia, sem pertences, sem nenhum vínculo social, a não ser o de ser um sadhu, um homem santo cujo papel social ocupa um lugar de admiração e destaque dentro da cultura hindu. 

          Entretanto, nesse ato de renúncia do sadhu há um ponto curioso, pois ele na verdade faz uma troca de papéis, quando abandona um status para assumir outro, que por sinal, é considerado mais elevado que o anterior. Agora ele não é mais um homem comum, do mundo, ele tornou-se um comprometido com a busca espiritual, ele está mais próximo do divino, daquilo que os simples mortais ainda precisarão de muito esforço para alcançar. Desapegou-se de uma condição e apegou-se a outra, largou uma roupa e vestiu outra, mais sutil, mais sedutora. Essa contradição da troca de apegos, anunciada como desapego, pode ser observada em qualquer outra prática de religiosidade e/ou espiritualidade.

          No yoga desapego não é sinônimo de não ter bens, de não possuir nada material, ou muito pouco, a direção é outra, busca-se algo mais consistente do que medir a quantidade de coisas que se carrega pela vida. A questão principal do desapego está na relação que estabelecemos com aquilo que desejamos. Não se trata sequer de não desejar, mas sim do como conduzimos o nosso desejo. Na definição clássica de Patanjali, desapego é a capacidade de não desejar aquilo que é visto ou descrito. Há o desejo que surge do nosso contato com os estímulos do mundo, porém, e esse é o ponto fundamental, ele é percebido por uma presença interna que observa e nos permite não responde automaticamente ao pedido do desejo. Desapego é essa habilidade de não reagir de forma impulsiva e identificatória com o pedido feito pelo desejo. O desejo aparece, e seguindo seu fluxo, desaparece, e assim será substituído por outro, e outro, e outro, e assim eternamente. O desejo passa, entretanto, a presença fica.

       Fica fácil perceber e sentir esse processo durante um passeio por qualquer shopping, ou enquanto assistimos TV ou navegamos pela internet, o tempo todo somos estimulados a desejar muito. Se nos identificamos com esse desejo haverá empenho e investimento para realizá-lo, precisamos fazer isso, afinal de contas somos esse desejo. Neste ponto já estamos apegados ao desejo, já o seguramos firmemente nas mãos. No caso do shopping, o resultado objetivo será quase sempre a compra compulsiva do mesmo desnecessário de sempre, enquanto o resultado subjetivo pode ser sentido como uma constate e insaciável insatisfação, que se expressa na espera ansiosa por segurar firmemente nas mãos as próximas sacolas de compras.

        O yoga caminha na contramão desse nosso movimento de apego, quando apresenta meios para que desenvolvamos a capacidade de desapego. O mais interessante é que esse desenvolvimento não precisa ser necessariamente algo conceitual, o que é bom, pois diminui o risco de o desapego se tornar apenas um discurso filosófico e estéril. Dentro das muitas técnicas do yoga, a meditação é a que por excelência desenvolve a prática do desapego. Mas de que forma isso ocorre? O mecanismo básico de toda e qualquer técnica meditativa é a observação de um foco específico, seja ele qual for. Durante a prática da meditação esse foco deve ser mantido, e quando perdido, o que certamente ocorrerá, retornamos à ele, abandonando-se assim aquela distração que nos desviou do foco proposto. Muitas vezes o conteúdo dessa distração é algo banal e desprovido de valor, coisa fácil de renunciar, mas muitas vezes, e é bem aqui que se encontram algumas armadilhas do caminho pela meditação, esses conteúdos são intensos e percebidos como valiosos e importantes, há neles muito desejo investido. De repente lembranças distantes e significativas vêm à mente, um forte colorido emocional é liberado, grandes insights sobre a vida surgem, visões, sensações, e coisas do tipo apresentam-se vividamente no palco da consciência. Conteúdos encantadores que abraçamos e queremos segurar firmemente nas mãos, experiências com as quais nos identificamos e nos apegamos, tal com os produtos expostos na vitrine atraente e chique do shopping. O que fazer então? Praticar o desapego, a renúncia, o abandono, largando o encanto da distração e voltando ao foco combinado. Prática de desapego das experiências internas, daquilo que desejamos como nossa identidade e como nosso ideal, prática de meditação, cultivo do estado meditativo.

         Interessante que esse aspecto tão profundo e transformador ganhou uma definição bem objetiva e dentro dos critérios da pesquisa científica através do trabalho do pesquisador, médico e professor de meditação Roberto Cardoso. Ele propôs uma definição operacional para a prática da meditação, onde necessariamente precisa ocorrer, entre outros aspectos, o foco da atenção em uma âncora e o relaxamento da lógica. Relaxar a lógica é não alimentar as infinitas associações de pensamentos, onde um leva a outro, que se associa a outro, a outro, e assim vai. Relaxar a lógica é praticar o desapego, é renunciar a esse grande prazer que temos de ficar pensando, desejando, pensando, desejando, pensando... Prática essa que não está restrita aos sadhus hindus e nem carece de nenhuma atitude radical, mas que pode ser experimentada na própria pele com apenas um pouco da atenção em si mesmo.   

Marcos Taschetto

10 de jun. de 2015

A benção de ser sem noção


       Numa terça feira cedinho eu indo de bicicleta dar aula. Mudei meu trajeto rotineiro e passo em frente a um parque, onde algumas pessoas estão caminhando e se exercitando em aparelhos. O dia está lindo, céu azul e ar frio, apesar do sol brilhando. Enquanto vou passando pelo parque e observando suas árvores, acabo acompanhando com o olhar o voo de uma ave, talvez um pequeno gavião, cortando o fundo da minha paisagem.

       Por instantes voei com ela. Por instantes fluí pela leveza e amplidão do espaço aberto e ilimitado. Por instantes não era um professor de Yoga indo dar aula, não era um psicólogo que depois de dar aula teria um dia cheio no consultório. Por instantes não estava em uma terça feira de início de mês no auge dos quarenta e pouco anos. Por instantes não havia a menor preocupação com o que havia atrás de mim, com o que me aconteceu no passado, e nem com o que haveria pela frente, no caminho futuro. Por instantes não estava indo para lugar nenhum. Por instantes estar em Taubaté não fazia a menor diferença, assim como saber ou não saber algo sobre alguma coisa. Por instantes não era mais o Marcos que estava ali. Por alguns instantes eu não encontrava-me  restrito nas habituais perspectivas sobre quem sou.

       Por instantes, pois logo aterrizei. Perdi o contato com a ave e voltei a sentir o pedalar da bicicleta. Era terça feira, estava na minha hora e lembrei que precisava mandar arrumar o carro. Em instantes o Marcos estava ali novamente, intacto, pedalando e arquitetando o que e como fazer pequenas e importantes coisas do dia a dia. Mas, por instantes, perdi a noção de quem era, larguei a bagagem e me senti muito bem.

     Compartilho essa experiência para comentar sobre seu significado à partir de algumas possíveis repostas para a pergunta: o que foi isso que aconteceu? Um momento de devaneio? Um pequeno surto dissociativo? Uma “viagem” sem drogas? Uma fuga da realidade? Uma experiência estranha, que por sorte passou logo e que deve ser esquecida? Apenas mais uma dessas coisas meio esquisitas e que não levam a nada e que só acontece com quem vive no mundo da lua? Todos essas respostas podem ser dadas pelo senso comum e também, infelizmente, por boa parte do mundo psiquiátrico e psicológico. Todas elas acabam por descaracterizar e desconsiderar a valiosa experiência de largar a bagagem. Há nelas o entendimento de que houve uma ruptura indesejada e possivelmente patológica e comprometedora. Nossa bagagem é fundamental e deve ser muito bem cuidada e protegida, devemos estar sempre com ela. Mexer com a perspectiva sobre quem somos é, de alguma forma, coisa de louco.

        A bagagem é essa forte noção que temos sobre quem somos, algo tão óbvio que passa despercebido. Os instantes em que voei foram exatamente os instantes em que minha noção de tempo e de espaço não estavam presentes, embora eu estivesse presente (e muito bem, por sinal). Minha presença se deu em outra forma, sem o peso da bagagem que, a partir de meu passado e da consideração pelo meu futuro, determina meu o presente. No voo não havia a noção de encadeamento dos dias, como o de estar numa terça feira e assim já estar automaticamente disposto na condição de ter ainda três dias de trabalho pela frente para chegar no sábado. Era também irrelevante o que tinha para fazer em meus e papéis profissionais e se daria conta disso. Todos esses conteúdos são a própria bagagem que carregamos e que deixa o caminhar mais pesado e repleto de condições já previamente impostas.

        A bagagem é um fato e uma condição humana e ponto. Não há nada de errado com ela. A questão é a limitação e o sofrimento que a identificação com ela nos traz. Esse é um saber que mestres de diferentes tradições milenares apontam sem a menor hesitação: não somos nossa bagagem! Somos algo além da noção que temos sobre nós mesmos. E dizem mais, que essa não é uma experiência restrita, especial e exclusiva de e para ninguém. 

       Quantas vezes você já não largou a bagagem? Quantas vezes já não foi além da noção de quem era? Quantas vezes já não voou? Talvez no calor do envolvimento com a arte ou a religião, em uma brincadeira, no amor, na dor, no contato com a morte, numa situação limite, talvez espontaneamente, e talvez até praticando Yoga e meditação. Pode ser que esses instantes apenas tenham passados despercebidos, ou, quem sabe, tenham sido entendidos inadequadamente como uma falha em deixar cair a bagagem.  

Marcos Taschetto



4 de mar. de 2015

Flexibilidade, para que te quero?


Contemple por alguns instantes essa foto. Que sensação ela lhe trás? Você acha que conseguiria fazer igual? Qual será a importância de se fazer tal postura?

                                   Kapilasana: flexibilidade em homenagem ao mestre Kapila

O Yoga possui muitas e valiosas ferramentas, entre elas estão os asanas, as conhecidas posturas físicas. Quase todos os que pensam em praticar Yoga, pensam em praticar posturas, sendo várias delas bem pouco usuais, tais como a acima. Essas posturas podem trazer muitos e  comprovados benefícios, assim também como lesões, se realizadas sem alguns cuidados. Nada que um professor preparado e um aluno dedicado não possam dar conta. Mas o mais importante é que, praticar Yoga não é o mesmo que fazer posturas. Isso pode parecer um pouco confuso, mas é bem simples. Yoga está mais relacionado ao como se faz do que propriamente ao que se faz.

As posturas abrem espaço no corpo contraído e fortalecem o que está amolecido no corpo. Esse trabalho desperta vitalidade e força em todo o organismo, o que envolve todos os sistemas do corpo e não apenas ao muscular. As posturas preparam assim o terreno para outros trabalhos mais sutis, como por exemplo, a atenção ao fluxo e às consequências das eternas oscilações dos conteúdos mentais e emocionais em nossa vida. Sem essa perspectiva a prática de Yoga pode transformar-se em contorcionismo, com o foco não na consciência do que se faz, mas no quanto se faz, no quanto se aumentou ou não o desempenho físico. Nesse ponto, o grau de flexibilidade muscular pode passar a ser sinônimo e o principal avaliador da prática de Yoga, ou seja, quanto mais flexível, mais Yoga, melhor a prática. Nada mais equivocado.  

Flexibilidade é uma qualidade que, se limitada a músculos, serve para pouca coisa. O que uma grande flexibilidade muscular têm a oferecer para termos uma vida mais feliz, realizada e profunda? Como o exercício de realizar posturas difíceis, inusitadas e exigentes pode nos tornar mais lúcidos sobre quem somos, mais amorosos, mais atentos, mais focados e integrados? Ao que parece, esse grande exercício da vontade em fazer proezas com o corpo acaba despertando mesmo é uma sutil vaidade de se ser especial, ou seja, nos deixa mais rígidos, mais fechados em nós mesmos. Ser flexível, além de colocar a cabeça na canela, é poder adaptar-se ao fluxo inesperado da vida, é ser maleável com as situações nas quais não temos controle, e com as que achamos que temos também. De que vale a flexibilidade física se não conseguimos reavaliar nosso caminho e mudar a rota? Se não temos liberdade para mudar o plano e refazer o projeto? Se não conseguimos quebra o ritual, se não podemos voltar atrás?

Praticar a flexibilidade é uma poderosa forma de dissolver nós, blocos, certezas, dogmas, convicções e garantias. Flexibilizar a noção que temos sobre o nosso próprio eu é uma grande, fértil e admirável prática de Yoga, possível mesmo para quem mal consegue sentar-se no chão.

18 de set. de 2014

Um minuto da sua atenção


Encontrando a Meditação: praticando a atenção

Eu e mais oito pessoas passamos a manhã toda deste ultimo sábado nos dedicando há apenas uma coisa: prestar atenção. Foi o primeiro módulo do Encontrando a Meditação, um workshop com o objetivo de viabilizar e facilitar a meditação. Além de explorar alguns pontos mais conceituais, fizemos também diferentes e simples exercícios de atenção. Nada mais do que dar atenção, por um período de tempo, para apenas um ponto por vez. Uma tarefa simples, absurdamente simples, mas que pode ser bastante reveladora e exigente.

Após cada prática eu perguntava para o grupo como tinha sido a experiência de prestar atenção. A ideia era de explorar as sensações e percepções mais sutis e das quais não temos consciência no dia a dia. Num primeiro momento nada de muito significativo, mas ao se dar um pouco mais de atenção a essa experiência, novas percepções acabam surgindo e abrindo, assim, novas portas em nossa forma de ver e entender o mundo.

Fazer essa pergunta (como foi a sua experiência?) me remeteu a muitos momentos dos atendimento psicoterápicos. Muitas foram as vezes que fiz, e imagino que continuarei a fazer, essa mesma pergunta durante uma sessão. Após o paciente narrar uma cena ou uma situação que viveu, ou então no exato momento em que ele está visivelmente emocionado ou incomodado, a pergunta "como você se sente?" ou "como foi isso para você?" é quase sempre reveladora, independente da resposta. Não foram poucas as vezes que o paciente (isso é mais comum com homens) me olha com uma cara de “como assim?” e me responde um lacônico “ué, normal!”. Um normal que parece dizer que ali nada aconteceu ou acontece, que nada há naquela experiência que valha a pena ser olhado. Normal, nada de mais, nada digno de nota, podemos agora olhar para outra coisa, pois aqui não tem nada de interessante. Bem, é lógico que, quando prestamos mais atenção para onde se diz que há apenas algo normal, encontramos ali coisas bastante significativas. Sentimentos, por vezes intensos, estão ali mesmo, bem abaixo do normal, do nada de mais. Sentimentos que quando reconhecidos, quando atendidos pela atenção, produzem um efeito parecido com a volta das chuva depois da estiagem. Mas essa porta só se abre com a chave da atenção cuidadosa.

Dar atenção é algo muito poderoso. A atenção tem a capacidade de gerar transformações por si mesma, pelo que revela, pelo que cria de acesso. Qualquer cantinho de jardim parece banal e sem graça alguma, mas basta um pouco de atenção e lá mesmo começamos a ver a vida presente em muitas e curiosas formas. Aquele cantinho tem um dinâmica própria e envolve vários seres vivos. Sem a atenção nossa relação com ele poderá se resumir em simplesmente ignorá-lo e, como consequência, em algum momento, pisá-lo. Com a atenção podemos incluir aquele pequeno e diferente universo em nosso mundo. A atenção permite a relação.

Mais do que técnicas e conhecimento, precisamos de atenção, até mesmo para poder usufruir dessas conquistas. Muito mais do que mais e mais coisas (seja o que for) precisamos mesmo é de atenção. 

28 de mai. de 2014

O cabeção e os pés no chão


Nossa vida atual tem um forte apelo mental. Somos banhados por informações o tempo todo, vindas de todas as direções. Valorizamos o pensar, o entender, o explicar, o decidir, o dominar, o antecipar, o saber, ou seja, valorizamos e alimentamos a atividade mental. Nosso mundo gira todo em torno e em função da referência mental. Essa atitude tem como consequência vivermos com a mente constantemente estimulada e acelerada. Mentes que não param e que não podem parar, pois correm o risco de serem ultrapassadas ao ficarem desatualizadas.

Uma criança poderia descrever esse nosso jeito de viver como um mundo habitado por homens e mulheres cabeções. Um mundo cheio de fios, visíveis e invisíveis, conectados diretamente nas enormes cabeças desses seres de olhos arregalados. Tudo aconteceria dentro dessas infladas, informatizadas e virtuais cabeças. Esses seres cabeçudos teriam também corpos pequenos, mirrados e frágeis, haja visto que pouca coisa aconteceria dentro deles. Uma enorme e estimulada cabeça e um pequeno e esquálido corpo. Muito investimento em cima e quase nenhum em baixo. Uma distribuição nitidamente desigual de vida e atenção entre cabeça e corpo. Esses corpinhos seriam ligados nas cabeçonas por um fiapo de pescoço, que não conseguiria conectar o que acontece em baixo com o que acontece em cima, e vice versa. Quase uma cabeça sem corpo e quase um corpo sem cabeça, na verdade, quase um personagem de filme de terror. Mas acho que podemos admitir que essa é uma descrição fiel de como nos sentimos e estamos muitas vezes.

Nada melhor para um cabeção do que investir um pouco de atenção no corpo. Para isso, nada melhor do que asanas (posturas do yoga). E entre todos os asanas, os feitos em pé são especialmente eficientes nessa redistribuição de atenção e de vida entre cabeça e corpo, ou sendo mais preciso, entre mente e corpo. Posturas de pé trazem a nítida percepção do chão, da gravidade, do equilíbrio, da força, da estabilidade e amplitude do corpo. Posturas de pé acordam, despertam e estimulam o corpo, florescendo o estado de presença integral. Corpinhos se preenchem de vigor e de novas sensações e cabeçonas esvaziam-se e desinflam-se, voltando assim a fazer parte do corpo. Um cabeção precisa de um corpâo, vivo, disponível, não necessariamente malhado, que chame a atenção para si e que quebre assim a prisão de ser apenas mental.

Essa ideia lembra a proposta de Alexander Lowen, aluno de W. Reich e criador da Análise Bioenergética. Lowen elaborou um método psicoterapêutico que inclui vários exercícios para auxiliar o despertar e soltar do corpo reprimido e contido. Esse trabalho corporal visa, mais do que soltar tensões, promover a sensação de grounding, que é a sensação de se estar com os pés na realidade, de se estar encorpado, encarnado, vivo, presente e com os pés e pernas firmes no chão. Grouding é enraizar, aterrar, ter raízes profundas que conferem estabilidade para todo o corpo e psiquismo. Grounding é exatamente o que os asanas de pé proporcionam, tanto que a postura de pé básica chama-se tadasana, que traduz se por “postura da montanha”, onde é possível vivenciar-se as qualidades de uma montanha, tais como: a firmeza de se ter uma base larga e estável totalmente enraizada no chão, o pico alto, leve e sereno por estar bem sustentado, liberdade para observação aberta do em volta, tônus sem rigidez, leveza subindo do chão ao topo da cabeça, descanso, atenção, vigor....

A atitude cabeção pede corpo, chão, grounding. Pés firmes no chão, corpo 
pulsando, olhar tranquilo e mente serena. E por que não agora mesmo?

                                           Groundig na Bioenergética


                                           Grounding no yoga


20 de mai. de 2014

A relação como meditação



Neste último fim de semana participei do VI Encontro de Saúde e Longevidade, um retiro focado no vivenciar de formas de cuidados com a saúde. Contribuí orientando três diferentes atividades: uma prática de posturas em pé, uma de exploração da respiração e uma atividade sobre a saúde nas relações humanas. Das três, essa ultima atividade foi a que mais me chamou a atenção, e curiosamente foi a que mais me fez sentir praticando yoga com o grupo.

Saúde, muito além do apenas não estar doente, é um estado de funcionamento pleno, onde um determinado potencial está sendo realizado. Por exemplo, se tenho dor nas costas posso considerar esse um estado doentio, não saudável, mas nem por isso, não ter dor nas costas signifique que eu as tenha saudáveis. Possa tê-las rígidas, porém sem dor, o que talvez me leve, mais cedo ou mais tarde, a tê-las doendo. Saúde é então ter minhas costas flexíveis e disponíveis para tudo o que faço no meu cotidiano, o que é bem capaz que se aproxime do poder mantê-las plenas dentro de sua funcionalidade ao longo do tempo. Isso é muito visível na saúde física, haja visto que praticamente todas as grandes doenças contemporâneas são resultado exatamente do não saber manter a funcionalidade dos sistemas e órgãos. Nem ampliamos e exploramos o potencial e nem também, ou simplesmente, deixamos seguir seus caminhos, nós o atrapalhamos continuamente. Ou será que tantos corações entupidos é algo aleatório?

E por falar em coração, a mesma ideia de saúde do corpo pode ser aplicável nas coisas do que não é tão físico e visível assim. Como seria a doença das relações, daquilo que acontece com as pessoas quando elas estão entre e com pessoas? Uma relação doentia seria aquela que dói constantemente ou que tem crises agudas frequentemente. Essa doença se manifesta de muitas formas e em todas traz sofrimento. Mas não ter dor em um relacionamento de longe significa que essa relação seja saudável. Há coisa mais doente que estar preso em uma relação de indiferença? De solidão compartilhada? Há coisa mais doente, e frequente, do que a conversa onde um não escuta o outro? Não há brigas, não há conflitos, não há gritos e lágrimas, talvez só mesmo um manso e invisível sofrimento. Reina aqui apenas a desconexão. Uma verdadeira não-relação na relação. 

Mas o que mantém essa situação? Em muitos casos um simples e enraizado hábito de não dar atenção. Só isso. De frente ao outro onde está minha atenção? No outro ou em mim mesmo? No que o outro diz ou no que meus pensamentos dizem? Estou disponível para escutar o que o outro diz ou ouço apenas o que penso? Consigo esperar seu tempo? Consigo não concluir por ele? Consigo não antecipar? Consigo ser continente? Consigo manter o foco de atenção em nosso encontro apenas? Olhar para esses detalhes do bastidor de um encontro são reveladores sobre como conduzimos nossa atenção. Geralmente desatenção.

Surpreendente é que esse reconhecimento da desatenção é justamente o exercício da meditação e do yoga. Nesses caminhos o que se busca é sair da inconsciência da desatenção, revelando-a assim que ela se der, para assim trazer e manter a atenção na experiência imediata. Experiência essa que pode muito bem ser a de estar de fato e inteiramente com alguém. Direcionar a atenção para o estar em contato com o outro, ou em outras palavras, ter a relação como meditação ou meditar na relação, foi exatamente essa a proposta que fiz para o grupo naquela agradável e acolhedora noite de sábado.

E como seria uma relação saudável? Isso é algo difícil de dizer, até pela amplitude, imprevisibilidade, profundidade e particulares significados que ela pode tomar, mas presumo que seja essencialmente uma relação onde haja atenção. Atenção, que nesse caso é uma expressão de consideração, carinho, presença e amor. 

                                                                 

16 de fev. de 2014

O que você pensa sobre a doença?



Já com os resultados de vários exames em mãos, retorno ao médico que me acompanha e no qual confio plenamente. E dessa vez ele foi categórico: “você tem uma doença”, referindo-se a doença de Ménière, que se caracteriza pelos sintomas de pressão no ouvido, perda auditiva e episódios de tonturas. Conversamos sobre as consequências e principalmente sobre o tratamento possível. Tirando a medicação que já tomo, a principal prescrição que recebi foi relacionada à dieta, pois muito do que se sabe sobre essa doença, ou síndrome, diz respeito ao metabolismo. Para mim ficou de cortar o açúcar, zerá-lo por um mês e então refazer alguns exames.

Essa foi uma consulta esclarecedora. Já passei várias vezes por médicos e quase sempre saí com a mesma compreensão que tinha de quando entrei, carregando apenas uma receita a mais na mão. Dessa vez saí com uma missão a cumprir, que por sinal, só a mim cabe cumprir. Mas saí também com um questionamento, e uma clareza, pois se a doença que tenho pode se modificar com minha dieta, não sei então se doença é um bom nome para isso que tenho. Vou me explicar melhor com essa hipotética conversa:

“- O que é doença? É uma “coisa” ruim que entra na gente e nos deixa mal.
 - Como tratar a doença? É só ir ao médico que ele sempre receitará um remédio que mandará a doença embora.
 - Por que ficamos doentes? Porque demos azar, por acaso, por castigo ou porque é normal e comum ficar doente de vez em quando.
 - Qual a oportunidade que a doença traz? Nenhuma, ela é um mal a ser eliminado, e queira Deus que nunca mais apareça. Bem, pensando melhor ela pode até ser interessante, dá para faltar no trabalho, na escola e ganhar um carinho extra também.
 - Quem é que sabe sobre a doença? Ué, é lógico que o médico, pois é ele que cura”

Penso que essa conversa fictícia retrata um pouco a imagem que alimentamos sobre o que seja essa coisa chamada doença. A doença é entendida como uma entidade com vida própria, alheia a nós e com a qual nada temos haver, e que deve ser extirpada a qualquer custo. Para isso existe um profissional poderoso que irá identificá-la e nos dar pílulas mágicas que farão o trabalho para nós. O que fazemos com a doença? Nada, a não ser esperar que o milagre aconteça por si só. A doença vem de fora, invade nosso corpo e dele deve sair.

Esse entendimento pode ser válido para algumas enfermidades, mas para a grande maioria das que nos acometem atualmente, não faz o menor sentido. Essa imagem não condiz com a experiência de muitas doenças de nossos dias, por exemplo as doenças cardíacas ou de stress. Cabe chamar de doença algo que é o resultado de atitudes equivocadas ao longo de muitos anos? Cabe chamar de doença a reação do corpo diante do que lhe agride e lhe faz mal diariamente? Ao invés de doença não seria melhor chamar isso de uma “consequência inevitável do não saber sobre si”? Não saber do que o próprio corpo precisa de fato, não saber como o próprio corpo reage ao que se faz com ele, não saber das dicas que o corpo oferece incessantemente, não saber que o corpo não é uma máquina constante e programável feita em série, não saber que os cuidados com a vida que se possui é uma questão intransferível e totalmente pessoal.

Aqui considero que o que vale para as doenças do corpo, vale igualmente para as doenças da alma (ou se preferir, as do psiquismo ou mentais). Quem não conhece alguém diagnosticado com hiperatividade, depressão ou transtorno bipolar? Quem não tem alguém próximo que toma antidepressivo? O que será que esses corpos e esses psiquismos estarão dizendo sobre o não saber? Quem quer escutá-los? Quem responsabilizar-se por esse trabalho? Quem quer remédios e farmácias?

Quantos doentes, que na verdade não são doentes, mas sim ”portadores de resultados dos próprios comportamentos e atitudes que por não considerarem o si mesmo acabam sendo auto agressivos”, não poderiam ter com a doença uma excelente oportunidade de escutar-se melhor? Não seria a doença assim uma via de autoconhecimento e de maior clareza sobre quem se é? Algumas perguntas essenciais (O que quero? O que preciso? O que me faz bem? Como estou agora? Para onde quero ir?...) podem ganhar significado e realidade no processo de adoecer, desde que a doença não seja entendida como apenas e simplesmente uma doença.

5 de dez. de 2013

O yoga da aranha


Estou um mês sem escrever nada para o blog, e não foi por falta de vontade ou de ideias. Acabei entrando em um ritmo de trabalho que me deixou pouco disponível para sentar, mastigar e produzir alguma coisa. Parece que faltou tempo para entrar na sintonia necessária para poder escrever algo sincero. Mas aqui estou eu, mais uma vez, escrevendo!

Nesse período de correria tive uma inusitada e misteriosa companheira: uma aranha. Não vi como chegou e nem como se foi, mas ela ficou ali no canto da janela da área de serviço por umas duas semanas. Quando criança tinha medo delas e hoje sinto uma coisa meio desconfortável na presença das maiores. Essa era do tamanho mediano, daquelas coloridas, com grandes bundas e pernas finas e pretas que ficam em telhados de madeira. Inicialmente tive vontade de tirá-la dali, afinal de contas ela era muito ousada em invadir a minha casa, mas ela estava tão quieta que a deixei em paz, pois achei que seria um covarde se a atacasse.

Foram dias interessantes esses da estadia dela. A convivência com aquela presença, não convidada e não bem vinda de início, foi aos poucos mexendo comigo. Todo dia eu ia lá dar uma olhada, e lá estava ela, quase sempre imóvel na teia ou então, ás vezes, refazendo a teia habilidosamente. Fui me acostumando com a aranha e até disse para minha filha que agora tínhamos um animal de estimação em casa. Ana Liz disse que ela não era muito fofa e acho que tinha razão, mas fofa ou não, agora ela já tinha seu lugar garantido no canto da janela.

Sem perceber acabei caindo na teia da aranha. Nesses dias corridos que estava, e ainda estou, acabei tendo um sutil e interessante contraponto com aquela aranha. Eu saía cedo de casa e chegava tarde, quando dava ia correndo para almoçar e logo sair. Quando ficava em casa estava preparando algum material ou revendo o que havia feito. Pouco tempo de conversa, de lazer e de ócio. No meio dessa correria, quando ia tomar água ou comer alguma coisa, dava uma espiada na aranha e lá estava ela, quieta, imóvel. Tinha a impressão de que ela fazia o mínimo necessário para sobreviver, que contava com todos os recursos de que precisava, de que não fazia nada a mais, de que não desperdiçava nada. Sua casa ela própria fazia, sua comida dali mesmo viria, já sabia tudo o que tinha que fazer. Enquanto isso, eu estava mergulhado numa correria (e bastante satisfeito com a demanda maior de trabalho, sem nenhuma queixa), cheio de tarefas e ocupações, várias assuntos em aberto, decisões a serem tomadas e às vezes um pouco apreensivo. Parecia que a aranha gastava apenas a energia necessária para dar conta de si mesma, e que na maior parte do tempo ela suportava serenamente existir, como se, quando eu a via ali quieta, ela estivesse meditando. Enquanto o praticante de yoga se debatia a aranha meditava, pensar nisso me fez muito bem.

De forma alguma gostaria de ser uma aranha, ou acho que deveríamos viver como elas, mas o contraste foi esclarecedor. O encontro da minha correria com a quietude da aranha na teia me trouxe essa pergunta: como um homem, ou mulher, pode viver e dar vazão a toda espetacular complexidade, criatividade 
e originalidade que lhes são inatas sem perder o contato primordial com a teia da vida? Como podemos integrar essas duas fundamentais dimensões do Ser? 

17 de out. de 2013

Eu estava lá!



       Durante muitos anos, sempre que estava na praia, dava um jeito de ir caminhar pelas pedras. Gostava de fazer isso sozinho, escalando e me movimentando pela encosta, sem pressa e sem saber exatamente até onde conseguiria ir. Só parava quando não era mais possível continuar, ou quando encontrava um local onde pudesse me sentar confortavelmente e ali ficar por um bom tempo. Quase sempre fazia ali alguma prática e depois deixavas as coisas acontecerem.

          Certa vez estava sentado de frente para o mar aberto, mar verde, imenso. No céu azul só o sol e algumas aves. Em volta de mim pedras, quentes, árvores e uma sombra acolhedora. Na minha frente, lá longe, a linha do horizonte levemente arredondada, e bem perto de mim, ondas quebrando com estrondo e espuma, indo e vindo, além de muitas pedras, grandes, imóveis, resistentes. Eu estava ali, um espectador de camarote, apreciando e me sentindo integrado à todas essas cenas belas e simultâneas. Tudo acontecendo por si só, eu querendo ou não, eu estando ali ou não. Perceber isso era muito bom, agradável, me deixava mais quieto, aberto e contemplativo. Há quanto tempo essa paisagem já não estava ali? Há quantas eras não era exatamente assim, independente de mim, de qualquer pessoa ou de toda humanidade? 

     E assim continuei ali, deixando as coisas acontecerem e absorvido pelo mar. E então, na linha do meu olhar, uma arraia salta. Preta e branca, grande, num voo rápido totalmente fora da água... uma imagem surreal, sem tempo para qualquer preparo.. já foi! Depois de seu mergulho até tentei prever onde ela poderia saltar novamente, mas naquela vastidão de mar, sem chance. Na verdade, o possível segundo salto já não tinha importância frente à experiência impactante do primeiro.

        Logo pensei: “poxa, que sorte a minha estar olhando justamente naquela momento para onde ela saltou!”. Mas o que senti mesmo, e sinto até hoje, é que não foi sorte, nem acaso, nem coincidência, nem sincronicidade, nem nada de especial. Sinto mesmo é prazer de poder dizer que “eu estava lá!”. Só isso. Estava lá, presente, e por isso pude ser testemunha, não apenas do inusitado salto da arraia, mas de todo o resto, comum e maravilhoso, que acontecia do meu lado, na minha frente, encima, atrás e dentro de mim. Naquele momento eu estava lá e não em outro lugar. Não estava pensando em outras coisas, digamos, mais importantes, não estava mergulhado em meu mundo interno, nem refém das minhas memórias ou de meus planos, ou ainda ocupado em ouvir minhas vozes cheias de razão sobre isso e aquilo e tudo o mais.

        A lembrança dessa experiência já me deixou algumas vezes num misto de prazer e angústia ao  levantar uma pergunta meio incômoda: e nesses mais de vinte e cinco anos que se passaram depois do salto da arraia, em quantos momentos posso dizer que “estava lá”? Onde estava eu ao longo desse percurso? Quantas arraias deixei de ver? 

         Esse questionamento me serviu como uma fértil provocação, me deixou mais atento, e nesse sentido foi bem positivo, mas na verdade é uma falsa questão. As arraias que não vi não tem mais nenhuma importância, já estão em outros mares! Mais do que isso, esse questionamento é em si uma tentadora cilada para que novas arraias não sejam vistas, tendo em conta que estarei confabulando e especulando sobre as que não vi. Deixemos então que as arraias nadem e saltem em paz, onde e quando quiserem.

             O que importa de fato é que a força do "sim, eu estava lá!" seja atualizada e mantida com um "Sim, eu estou aqui!"

Marcos Taschetto


16 de jul. de 2013

Por onde a sua atenção?


Arqueiro zen = atenção

Basta um mínimo de auto-observação para constatar que a nossa atenção é na verdade desatenta, ou melhor dizendo, que a nossa atenção salta de um foco para outro o tempo todo. Isso se torna evidente no constante borbulhar de pensamentos que passam pela cabeça, tal como um riacho em barulhenta cachoeira. Outra constatação bem objetiva dessa desatenção são os movimentos inquietos das mãos, dos pés e de todo o corpo, ou ainda o revelador olhar distante, perdidos em devaneios, olhando o que só existe no mundo interno. A atenção fragmentada em muitos focos torna-se desatenção, dispersão, distração. Um pensamento sobre isso, outro sobre aquilo, uma lembrança, um gesto, outro pensamento sobre um terceiro assunto, uma cena futura, um sentimento, outro pensamento, uma julgamento, um sentimento, uma conclusão, um quinto pensamento... . O ciclo não tem fim, podemos viver mergulhados nele, sendo levados para onde essa maré nos levar, embora às vezes ele seja entrecortado por um breve contato com o mundo externo, talvez no encontro com uma outra pessoa, real, ali no mesmo momento e no mesmo espaço.

É bom lembrar que a atenção tem um poder muito especial. Faça uma pequena, simples e rápida experiência sobre esse poder agora mesmo. Não deixe para depois. Apoie suas mãos nas coxas ou em uma mesa. Deixe as palmas para baixo e não mexa as mãos. Feche os olhos e por um minuto, ou um pouco mais, apenas pense e sinta a sua mão esquerda, nada mais do que isso. É bem capaz que algo surpreendente aconteça, experimente.
Bem, isso que você percebeu em sua mão esquerda é resultado do poder da atenção com foco. Ao ser direcionada a atenção ganha força, consistência, profundidade, e acaba transformando seu portador e seu foco. Se a sua atenção é capaz de fazer isso com sua mão em tão pouco tempo, o que não poderá acontecer se ela for direcionada ao longo de horas, meses e anos?
Há uma equação muito simples: onde está a atenção, está o coração. Assim, é dali mesmo, onde projetamos nossa atenção, que tiramos alimento para a alma. Aquilo que recebe atenção torna-se alimento, e no alimento nos transformamos. Isso é fácil de ser constatado, não importando se o alimento for uma fruta, um doce, uma dose de álcool, ou um pensamento, uma emoção, uma situação, ou qualquer outra coisa, externa ou interna. Do foco da atenção tiramos nosso alimento, que, conforme nossas escolhas, irá nutrir-nos ou intoxicar-nos.

O yoga pode ser definido como uma proposta de direção da atenção. Em toda a sua variedade de métodos o yoga sempre oferece um sentido para a atenção, há sempre esse cuidado essencial de canalizar o potente e fértil rio da atenção. Seja nas ações do corpo, seja na respiração, seja no corpo sutil, seja no colorido das emoções, seja no fluxo dos pensamentos, seja na pura presença, seja num aspecto da divindade, seja num som, seja num gesto, seja num rito, seja numa relação, ou ainda em várias dessas ferramentas juntas, haverá sempre no yoga um foco para a atenção. As muitas gerações de mestres yogues sempre deram a devida atenção ao fato de que a atenção precisa de uma casa, de um endereço, pois ela sempre está a movimentar-se nessa busca. Por que então não oferecer-lhe um lar? E por falar nisso, por onde anda a sua atenção?